Notícias

Cultura Religiosa no curso de Pedagogia

“Religião.

Aquecida no regionalismo, habituada na cultura, morta em mim.
Por vezes é abrigo da loucura.
Entre vícios, artes, violência e esportes; camufla-se na ideologia.
Envelhece jovens, amamenta velhos.
Chega-me em partes, em pedaços. Retalhos de crenças. Capto pouco. Um mosaico sem credo.
A quem pertenço? A quem blasfemo? Para quem eu canto?
Sinto-me fora.
Sou devoto da gratidão.”

Tiago Landeira

A experiência de ter ministrado a disciplina Cultura Religiosa no curso de Pedagogia foi sem dúvida marcante e inspiradora. Ter a experiência de compartilhar com os acadêmicos do último semestre do curso, situações vividas e relatos de vida que coloriram as teorias abordadas foi muito enriquecedor.

Quando se fala em abordar a temática da religião no âmbito acadêmico, há mais de um cidadão que automaticamente abre seu guarda-chuva de preconceitos e se sente incomodado ao ser interpelado na sua religião. Foi assim que muitos dos acadêmicos relataram que se sentiram ao saber sobre esta disciplina. Porém, acredito que a dinâmica das conversas, pesquisas e exposições, em resumo as aproximações ao conhecimento do assunto fizeram com que a grande maioria pudesse entender que por meio do respeito e possível considerar a diversidade cultural que vivenciamos num país como o Brasil, onde as origens evidenciam essa grandiosa diversificação, não só de cores, raças como também de crenças e religiões. Vivemos num século que prima a materialidade, porém almejando o intangível. Fala-se de bem viver, em praticar não uma religião, mas sim a religiosidade que é inerente a cada ser humano.

O intuito da disciplina foi quebrar - ante todo - os preconceitos e construir uma reflexão madura sobre a vivência e o comportamento religioso das pessoas e a influencia que esses fatores exercem sobre a vida de cada um de nós. Evidente que nem todos aceitaram as novas ideias, mas respeitamos esses posicionamentos.

A FPA é uma Faculdade confessional, mas nem por isso impõe sua ideologia religiosa. Ao contrário, desde sua missão ela trabalha abertamente a aceitação do outro, com todas as suas particularidades, incluindo sua profissão de fé.

Foi interessante obter um panorama das principais religiões do mundo por meio da pesquisa direcionada, o que permitiu sem dúvida, alimentar o conhecimento sobre o pensamento e os valores praticados por outras religiões. Mas o ponto central foi a discussão sobre valores humanos essenciais tais como liberdade, verdade, justiça, paz, amor dentre outros, valores estes comuns a todas as religiões e por direito, princípios fundamentais que devem ser praticados por todos. Para tanto, abordou-se a espiritualidade no ser humano, perpassando o tempo através da constituição das ideologias religiosas, porém dando ênfase na prática quotidiana, ou seja, o que fazemos dessa espiritualidade. “O ser humano é um ser espiritual”. Disso não há duvida. Até para quem não se identifica com nenhuma religião e se auto intitula “ateu”, vivencia a necessidade da espiritualidade. As práticas religiosas estão presentes no dia a dia das nossas vidas: rituais e cerimonias – até “modismos religiosos” permeiam nossa vida. De fato, não podemos fugir dessa realidade. Sentimentos e inquietações tais como solidão, dor, estresse, em resumo expressões da vida e da morte, fazem com que constantemente o ser humano procure encontrar respostas a essas situações que insistem em se manifestar no coração e na mente dos homens e mulheres desde a mais tenra idade. A ética se faz presente também, conduzindo a consciência humana por trilhas às vezes inexplicáveis, visto que o paradoxo da vida, muitas vezes nos lembra da sentença filosófica: “o fim justifica os meios”. Mas o imperativo de relacionar-se com “o superior” fala mais alto e vence as trevas da ignorância; por sua vez, a falta de conhecimento nos petrifica em preconceitos quase sem fundamentos. É hora de libertar as consciências, e como docentes e formadores de opiniões, devemos nos despir desses falsos conceitos e abraçar a igualdade da raça humana, aceitar de braços abertos a diversidade e partilhar nossas vivencias para uma educação de qualidade, como reza o slogan que nos identifica: “ensino pleno a serviço da Vida”.

Artigo escrito pela Profª. Maria Francesca da Costa Soares