Notícias

Alunas de pedagogia contam que realidade da profissão pode assustar

Estudantes de cursos de pedagogia afirmam que existe um distanciamento grande da teoria aprendida na faculdade em relação à rotina da profissão. “Na universidade, tudo é lindo, fácil de aplicar. Mas quando comecei a trabalhar na área, me assustei um pouco. Pensei que não fosse aguentar”, conta Ana Caroline Amilevicius, estudante do 5º semestre de pedagogia na Anhanguera (SP).

“Em aula de escolas da prefeitura ou do estado, por exemplo, são muitas crianças por sala. E em qualquer instituição, o professor precisa lidar com alunos de diferentes temperamentos, que podem estar agitados ou cansados. Vejo como um desafio a ser vencido”, completa.

Para Nina Feres, aluna da graduação na Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), uma forma de conseguir aproximar a teoria da prática é fazer estágio. “É uma fase muito importante na formação do profissional. Mesmo se for para aprendermos o que não fazer. Isso porque a realidade da sala de aula é muito diferente da teoria pura dos livros”, diz.

Nina sentiu falta, nas aulas de pedagogia, de ter noções mais aprofundadas do conteúdo do ensino fundamental I. “Eu tive dois semestres de matemática, ciências naturais e ciências humanas, mas a abordagem foi muito superficial quanto ao conteúdo. As aulas focavam mais nas estratégias gerais”, afirma. Ana Caroline não esperava ter esse tipo de matéria na faculdade, mas notou que, de fato, é importante ter essa formação. “Eu não imaginava ter aula de geografia, por exemplo. Mas aprendi que a educação das crianças não é só a parte lúdica”, conta.

O professor Paulo Fraga, coordenador do curso de pedagogia do Mackenzie, afirma que, no Brasil, a graduação nessa área é conhecida por ser muito teórica. “A gente tenta mostrar na faculdade os desafios que se impõem em sala de aula. As universidades estão buscando se aproximar das escolas, para minimizar o estranhamento dos recém-formados quando começarem a exercer a profissão”, afirma.

Sobre a reputação da profissão, Ana Caroline diz que já esperava os baixos salários, mas não a falta de reconhecimento da sociedade. “O professor ensina valores, desfralda a criança, ensina a comer sozinha. É um trabalho que vai além do ensino escolar, forma também um cidadão. E nem assim é valorizado”, afirma.

Nina conta que seu salário é mais alto que a média para a profissão porque trabalha em uma escola privada bilíngue. Mas reconhece a falta de incentivo à carreira de pedagogia. “É um absurdo o quanto os professores de escolas públicas ganham. Isso me entristece. Mas o que me dá forças é mostrar que não só damos aula, como também formamos indivíduos, cidadão, questionadores, que vão agir na sociedade”, completa. 

Fonte: G1